sábado, 30 de abril de 2011

Bolsonaro, homofobia é muito BREGA!! Chega às raias do ridículo!

Jair Bolsonaro é notificado pela Corregedoria da Câmara por racismo e homofobia

Jair Bolsonaro
O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi notificado nesta quarta-feira (6) pela Corregedoria da Câmara dos Deputados por racismo e homofobia. A partir de hoje, ele tem cinco dias para apresentar a sua defesa. O processo será comandado pelo corregedor Eduardo da Fonte, do mesmo partido de Bolsonaro.

As denúncias contra Bolsonaro foram apresentadas por deputados, pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara e pela Secretaria de Igualdade Racial da Presidência da República (SEPIR). Bolsonaro declarou que não terá "problemas" em se defender. A Corregedoria da Câmara tem 45 dias para estudar o caso e decidir se ele segue para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Casa, que pode abrir um processo e terminar com a cassação do mandato de Bolsonaro.

Protesto 
Hoje, quarta-feira (6), pela manhã o deputado Jair Bolsonaro foi alvo de protestos na Câmara. Estudantes entraram no Anexo 2 gritando "fora, Bolsonaro". O deputado ironizou um cartaz que um dos manifestantes segurava. "Bonito o cartaz. Isso é liberdade de expressão, mas se sou eu que faço, é racismo. Vieram aqui me provocar, mas não vou cair", declarou o deputado.

fonteA Capa

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pesquisa mostra que formação homossexual de família não interfere no desenvolvimento infantil


Um estudo realizado pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira, do Instituto de Psicologia da USP, mostra que a criação e a educação dada às crianças por casais homossexuais não acarreta perda psicológica. O estudo psicanalítico sobre papéis e funções parentais em casais homossexuais com filhos foi baseada em uma pesquisa antropológica publicada no livro “Conjugalidades, parentalidades e identidades lésbicas, gays e travestis”, lançado em 2007, que considerou filhos provenientes de relações heterossexuais anteriores, de reprodução assistida ou de adoção.


Segundo Vieira, a estrutura familiar e as funções que asseguram o desenvolvimento da criança não estão vinculadas à orientação sexual do casal. O que importa é o desejo de ser responsável por uma criança. “As relações de responsabilidade dos pais e da criança com os adultos, que definem a estrutura familiar, não sofrem alterações. As relações de parentesco são mais simbólicas do que biológicas. As funções psíquicas são o que realmente importa para o desenvolvimento de uma criança, e elas estão descoladas do aspecto anátomo-fisiológico do corpo.”

De acordo com ele, em um casal homoparental, formado por homossexuais, as funções materna e paterna são preservadas e podem estar ou não presentes, assim como nas famílias heterossexuais. A função psíquica materna é de estar mais próxima da criança, ser responsável por ensinar a linguagem e por cuidar e proteger com mais assiduidade. A função paterna limita a proximidade da criança com a mãe e determina limites e regras.

Os dados mostraram que as crianças não sentem a necessidade de possuir uma mãe do sexo feminino, e um pai do sexo masculino, pois as funções psíquicas são exercidas por duas pessoas do mesmo sexo. “Não há regra geral, a criança costuma criar diferentes formas de nomear os pais, como: pai X e pai Y ou mãe X e mãe Y. Raramente, uma criança chama um de pai e outro de mãe”, explica. “Minha experiência de trabalho e observação com crianças indica que a maneira como ela percebe, valoriza e qualifica sua realidade depende muito de como os responsáveis por ela transmitem sua própria maneira de entender essa realidade”, completa.

Vieira disse que o conceito de família homoparental ainda está em construção. Os casais homossexuais usam como referência o modelo heterossexual, “o que não significa que este modelo de família seja o único possível.”

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maria Berenice Dias e Marta Suplicy

Entrevista concedida por Maria Berenice Dias e Marta Suplicy disponível no site oficial PLC 122. 

Vale a pena conferir o empenho de pessoas esclarecidas e brilhantes na busca de propiciar os direitos humanos básicos e fundamentais e promover a cidadania das parcelas da população ignoradas pelo legislador, ao invés de fingir que tal realidade não existe. Curta a entrevista: Parte 1 - Parte 2 - Parte 3.

Ciclo viciante

Leio muito, adoro ler. Leio livros, leio artigos, leio sinopses, leio resenhas, leio reportagens, leio blogs, leio tweets, leio posts, leio até o prefácio e a orelha. Minha loucura pela leitura só não alcançou ainda as bulas dos remédios. Levo o livro para a fila, para o consultório, para o intervalo do trabalho ou da escola, para o banheiro, para os momentos que o professor faz aquela pequena pausa durante a aula. Leio assistindo televisão, leio ouvindo música, leio durante a final da copa, leio até enquanto falo ao telefone.

Quando viro a primeira página, o mundo todo se dilui, desaparece. Devoro vorazmente cada palavra, cada frase, cada ideia. A princípio me aquietam os novos pontos de vista, as novas teorias, as novas teses, as novas abordagens. Poderia parar por aí, mas não paro. Nasce um inteiro novo universo, ou mesmo uma nova forma de ver o antigo. Das antigas nascem novas indagações.

Vagando de universo a universo, vivo em um eterno ciclo de descobertas, redescobertas, dúvidas, mais dúvidas, que nunca se sacia. Quanto maior a dose, maior a necessidade. 

Existe um LA para os "Leitores Anônimos"?

Não sei nada mesmo!!!

Nos idos de uns 400 antes de Cristo, um ilustre filósofo grego - Sócrates - se utilizava da máxima, por ele mesmo criada e até os dias de hoje por ela imortalizado, que dizia: "Só sei que nada sei!". Abstraindo-se do móbil do grande sábio ao proferir estas palavras, se a título de provocação ou de mera constatação, o certo é nunca houve palavras tão sábias.

É tão grande o conhecimento da humanidade e, ao mesmo tempo, é tão grande a possibilidade de se adquirir novos saberes, que não se pode inferir nem ao menos se já chegamos ao meio ou se ainda mal começamos a caminhada. Certeza é que estamos muito longe do fim. Aliás, "certeza" é mesmo aquela expressão que traduz o inalcançável.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

PROSTITUIÇÃO? Não sou contra nem a favor, muito antes pelo contrário.

Quando se fala de prostituição, a primeira providência é vestir-se de toda uma carga de preconceitos e moralismos que, mesmo que fiquem eloquentes e fundamentados, não se adaptam bem aos operadores do Direito. Vale a lembrança de que não é a sociedade que deve se adaptar ao Direito, muito antes pelo contrário, o Direito é que deve identificar a cultura e as demandas sociais e tratar de dar-lhes a devida regulamentação.

A argumentação que se usa para discriminar a prática da prostituição é, quase sempre, de fundo religioso. Principalmente, da igreja católica, cujos dogmas medievos condenam todas as formas de exercício da sexualidade, excetuando-se exclusivamente aquela realizada com o fim único de procriação e após formalizado o sagrado laço do matrimônio. Vê-se isso na prática quando esta mesma igreja proíbe o uso da camisinha. Dessa forma, sexo por prazer, nem pensar!

A sabedoria popular, contudo, sempre proclamou que “A prostituição é a profissão mais antiga do mundo!”. Para quem acredita que a voz do povo é a voz de deus, a resposta já está dada: prostituição é profissão.

Todo indivíduo tem o direito de utilizar de seu próprio corpo da maneira que melhor lhe aprouver. Da mesma forma, todo indivíduo tem direito a exercer sua sexualidade da maneira que lhe for conveniente. Esta é uma das dimensões da dignidade da pessoa humana, desenvolvida por Immanuel Kant e consagrada na Constituição Federal de 1988, como fundamento do Estado Democrático de Direito.

Como Estado laico, fundado na dignidade da pessoa humana e garantidor dos direitos fundamentais da igualdade, da liberdade, da não discriminação, o Brasil pratica verdadeiro ato ilícito quando deixa essa parte da população à margem da cidadania e excluída da sociedade. Resta destacar que a prática da prostituição, no Brasil, não é crime. Mas são crimes praticamente todas as condutas que a cercam, como manter casa de prostituição, contribuir para a prostituição, tirar proveito da prostituição, entre outros.

O não reconhecimento da prostituição como forma de trabalho deixa estas pessoas à mercê de sua própria sorte, sujeitas a todo tipo de exploração e de violência. Principalmente quando criminaliza as condutas que orbitam ao seu redor, já que além da exclusão social, propicia também a sua exclusão física. Restam-lhes as periferias, os becos, os exploradores, os cafetões, a violência. A obscuridade em que vivem tais pessoas só faz bem aos nobres homens que deixam seus lares imaculados e incólumes ao pecado e as visitam furtivamente. Vale lembrar que a prostituição só existe porque existem clientes para tal tipo de serviço.

Pessoalmente, não me sinto em posição de realizar um julgamento, apesar de não me enquadrar como fiel a dogmas religiosos. Numa sociedade tão excludente quanto a nossa, num país onde grande parte da população vive na mais absoluta pobreza, difícil condenar a pessoa que se prostitui para sobreviver. Fácil julgar quando o único mundo que se conheceu foi o da classe média das escolas particulares e dos cursinhos de esportes e de línguas. Agridem nossos olhos burgueses, acostumados às telas de cinemas e aos palcos do teatro, aquelas pessoas em roupas ousadas, fazendo ponto pelas esquinas da cidade. Incomoda sermos obrigados a desviar o rosto para não nos defrontarmos com essa triste realidade. Melhor fingir que não existem.

Mas ao Estado, ou ao Direito, não é dada tal faculdade, não lhe é permitido virar o rosto para não enxergar a realidade, muito antes pelo contrário, deve adentrar nesse universo de excluídos e lhes proporcionar condições mínimas de trabalho e de segurança e promover-lhes a cidadania.

Agora justifico o título, não posso dizer que sou a favor da prostituição, pois considero uma prática triste e aviltante ter sua intimidade abusada por um estranho (Pobres moças! Pobres rapazes!). Também não posso dizer que sou contra, já que respeito o direito de cada um de proceder conforme sua própria consciência. Dessa forma, prefiro usar as expressões na forma negativa, dizendo que não sou a favor e também não sou contra. Muito antes pelo contrário!