Um estudo realizado pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira, do Instituto de Psicologia da USP, mostra que a criação e a educação dada às crianças por casais homossexuais não acarreta perda psicológica. O estudo psicanalítico sobre papéis e funções parentais em casais homossexuais com filhos foi baseada em uma pesquisa antropológica publicada no livro “Conjugalidades, parentalidades e identidades lésbicas, gays e travestis”, lançado em 2007, que considerou filhos provenientes de relações heterossexuais anteriores, de reprodução assistida ou de adoção.

Segundo Vieira, a estrutura familiar e as funções que asseguram o desenvolvimento da criança não estão vinculadas à orientação sexual do casal. O que importa é o desejo de ser responsável por uma criança. “As relações de responsabilidade dos pais e da criança com os adultos, que definem a estrutura familiar, não sofrem alterações. As relações de parentesco são mais simbólicas do que biológicas. As funções psíquicas são o que realmente importa para o desenvolvimento de uma criança, e elas estão descoladas do aspecto anátomo-fisiológico do corpo.”
De acordo com ele, em um casal homoparental, formado por homossexuais, as funções materna e paterna são preservadas e podem estar ou não presentes, assim como nas famílias heterossexuais. A função psíquica materna é de estar mais próxima da criança, ser responsável por ensinar a linguagem e por cuidar e proteger com mais assiduidade. A função paterna limita a proximidade da criança com a mãe e determina limites e regras.
Os dados mostraram que as crianças não sentem a necessidade de possuir uma mãe do sexo feminino, e um pai do sexo masculino, pois as funções psíquicas são exercidas por duas pessoas do mesmo sexo. “Não há regra geral, a criança costuma criar diferentes formas de nomear os pais, como: pai X e pai Y ou mãe X e mãe Y. Raramente, uma criança chama um de pai e outro de mãe”, explica. “Minha experiência de trabalho e observação com crianças indica que a maneira como ela percebe, valoriza e qualifica sua realidade depende muito de como os responsáveis por ela transmitem sua própria maneira de entender essa realidade”, completa.
Vieira disse que o conceito de família homoparental ainda está em construção. Os casais homossexuais usam como referência o modelo heterossexual, “o que não significa que este modelo de família seja o único possível.”
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