quinta-feira, 28 de abril de 2011

Pesquisa mostra que formação homossexual de família não interfere no desenvolvimento infantil


Um estudo realizado pelo pesquisador Ricardo de Souza Vieira, do Instituto de Psicologia da USP, mostra que a criação e a educação dada às crianças por casais homossexuais não acarreta perda psicológica. O estudo psicanalítico sobre papéis e funções parentais em casais homossexuais com filhos foi baseada em uma pesquisa antropológica publicada no livro “Conjugalidades, parentalidades e identidades lésbicas, gays e travestis”, lançado em 2007, que considerou filhos provenientes de relações heterossexuais anteriores, de reprodução assistida ou de adoção.


Segundo Vieira, a estrutura familiar e as funções que asseguram o desenvolvimento da criança não estão vinculadas à orientação sexual do casal. O que importa é o desejo de ser responsável por uma criança. “As relações de responsabilidade dos pais e da criança com os adultos, que definem a estrutura familiar, não sofrem alterações. As relações de parentesco são mais simbólicas do que biológicas. As funções psíquicas são o que realmente importa para o desenvolvimento de uma criança, e elas estão descoladas do aspecto anátomo-fisiológico do corpo.”

De acordo com ele, em um casal homoparental, formado por homossexuais, as funções materna e paterna são preservadas e podem estar ou não presentes, assim como nas famílias heterossexuais. A função psíquica materna é de estar mais próxima da criança, ser responsável por ensinar a linguagem e por cuidar e proteger com mais assiduidade. A função paterna limita a proximidade da criança com a mãe e determina limites e regras.

Os dados mostraram que as crianças não sentem a necessidade de possuir uma mãe do sexo feminino, e um pai do sexo masculino, pois as funções psíquicas são exercidas por duas pessoas do mesmo sexo. “Não há regra geral, a criança costuma criar diferentes formas de nomear os pais, como: pai X e pai Y ou mãe X e mãe Y. Raramente, uma criança chama um de pai e outro de mãe”, explica. “Minha experiência de trabalho e observação com crianças indica que a maneira como ela percebe, valoriza e qualifica sua realidade depende muito de como os responsáveis por ela transmitem sua própria maneira de entender essa realidade”, completa.

Vieira disse que o conceito de família homoparental ainda está em construção. Os casais homossexuais usam como referência o modelo heterossexual, “o que não significa que este modelo de família seja o único possível.”

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